"Eu desci as escadas que me levavam para fora da casa. Eu andava pela rua atrás da pizzarias que ficou de nos entregar duas pizzas. Foi quando eu passei em frente a um beco escuro, com apenas uma iluminação escrita: "Pizzaria", era para lá que eu deveria ir. Andava agarrada no meu blusão, o frio era intenso, então eu vi um homem de cabelos negros usando um cobertor como roupa. Não era muito de julgar, então segui em frente. Senti uma punhalada, eu vi sangue em mim, foi nas minhas costas, mas a faca conseguiu atravessar a minha barriga, o sangue saía pela minha boca também, aquilo era agonizante. Olhei para trás para ver quem havia feito isso, e era o homem que vestia um cobertor, após eu cair, mesmo sentindo que já estava morta, eu podia ouvir, sentir e ver. Não conseguia me mexer, isso me enlouqueceu, eu queria gritar, perguntar o por que de ele estar fazendo isso, mas não conseguia. Vi ele tirando meu colar e minha pulseira de ouro, depois vi outro homem de preto chegando, ele me puxava pelo pé, deixando minha marca de sangue no chão, ele me jogou no porta malas de um carro. Eu não conseguia me conter, mas não tinha o que fazer. Logo, ele me tirou do porta malas e começou a me cortar com um bisturi. Ele tirava meus órgãos, eu queria chorar, eu estremecia por dentro e não me movia por fora. Me senti vazia. Depois disso eles ainda tiveram a audácia de me jogar em um rio, foi lá que eu vi meu corpo descendo, preso á um bloco de concreto. Eu agora conseguia me mexer, mas eu sabia que eu não estava em meu corpo. Eu subi até a superfície e olhei para minhas mãos, frias, sem vida, meio transparentes. Hoje, eu estou sendo dada como desaparecida, e meus órgãos estão distribuídos no mercado negro, talvez nem os tenham usado ainda. Eu peço que para quem esteja lendo isso, que entre no beco á sua frente."
Eu olhei para "minha frente", mas não havia nenhum beco, provavelmente a garrafa estaria sendo rodada pela cidade há anos, mas eu senti que eu deveria ir atrás, então procurei na internet, pizzarias que se localizam em becos. E consegui, só havia uma Pizzaria em um beco. Então eu fui para lá, não era tao longe, então fui á pé. Chegando lá, encontrei uma menina, com seus dezessete anos. Ela era pálida e transparente. Era um fantasma, chegando lá ela me mostrou suas cicatrizes e perguntou se eu estava com medo, respondi que não, ela então pediu ajuda á mim. Ela me disse que só estaria liberta
se eu encontrasse seu coração. Pensei um pouco e logo tive um plano, então, concordei.
Eu me infiltrei no mercado negro. Disse que precisava de um coração, mas não podia ser de qualquer pessoa, teria de ser de uma garota de dezessete anos, pois queria "viver um pouco mais", acho que eles acreditaram, pois trouxeram um coração á mim, a fantasma havia vindo comigo, apenas eu conseguia vê-la, ao ver o coração, ela confirmou com a cabeça. Pedi então que me dessem ele em uma caixa de conservas, e perguntei o preço.
- Cem mil dólares.
Engasguei, disse que iria levar, peguei-o e saí correndo como nunca na minha vida, eles demoraram um pouco para entender o que estava acontecendo, o que meu um bom tempo para correr, mas não foi o suficiente, eles quase me pegaram, foi então que a fantasma segurou-me pelos braços e me levitou, ela começou a voar, me levando para fora. Imagino os rostos que os traficantes ficaram ao ver uma mulher voando com um coração na mão.
Quando chegamos de novo no beco, eu entreguei a ela o coração, ela colocou-o no seu lugar, e me agradeceu, ela me disse que mesmo todos os outros órgãos ainda estando lá, ela não se importava, pois para ela, o coração é sentimento, é vida, é o centro de tudo, assim como o amor. Ela se despediu e agradeceu minha ajuda, ela havia sumido, eu fiquei um pouco sem rumo na hora, foi tudo tão rápido. Eu havia ajudado um fantasma a se libertar e nem fiquei com medo, eu agi como se fosse uma pessoa viva. Mas não me importei muito com isto, eu havia feito tudo em apenas um dia, estava cansada, então resolvi ir para casa. Moro sozinha, então, entrei sem dar explicações ao vento, mas eu tive uma surpresa quando entrei em meu quarto. Eu vi, em cima da minha penteadeira, um belo suporte de cristal todo desenhado, e preso á ele, um coração feito de papel camurça, e no suporte, estava uma plaquinha escrito:
"Obrigada, ninguém ajudaria a mim, se eu prcisasse, mas você me ajudou, estarei sempre te ajudando quando precisar. Ass.: Fantasma Perdida"
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